sexta-feira, 2 de maio de 2014

Complexo de Édipo / Recriando o Destino / Quebrando o Cíclo

"Aquele que não conhece a sua história estão condenados a repetí-la." 


O Complexo de Édipo é bem vivo dentro de nós, quer você admitia isso ou não. É uma ideia desconfortável de se olhar, mas se libertar desse padrão é necessário para a real independência de ser. Caso contrário a pessoa fica a mercê de seus dilemas subconscientes repetindo para sempre os mesmos padrões nos relacionamentos, ficando presa em algum ponto no seu desenvolvimento pessoal, perpetuando sentimentos negativos de trauma e abandono dentro de si mesmas e então nunca atingindo a cura interna e a liberdade.

O mito.
Édipo é filho de Laio, rei de Tebas, e de Jocasta. Foi profetizado ao nascimento pelo Oráculo de Delfos que iria matar o próprio pai e que iria se casar com sua mãe. Para evitar tal destino Laio o abandona no monte Citerão, onde é adotado pelo Rei de Coríntio. Édipo, já crescido, consulta o Oráculo de Delfos que mais uma vez revela seu destino a Édipo. Acreditando que iria assassinar sua mãe adotiva e seu pai adotivo Édipo deixa Coríntio. Em seu caminho para Tebas Édipo encontra um homem com quem entra numa discussão e em cólera o assassina. Tebas estava a mercê da Esfinge pois o rei havia sido assassinado, a Esfinge assassinava qualquer um que não respondesse corretamente à sua charada. Édipo acerta a charada da Esfinge salvando a cidade, então ganhando a mão da Rainha Jocasta. Anos mais tarde consultando o oráculo rei Édipo descobre que foi ele que o assassinou o rei anterior, e também que Laio e Jocasta eram seus pais, assim se concretiza a profecia. Jocasta comete suicídio e Édipo fura seus próprios olhos.

Assim como Édipo, somos fadados a experienciar exatamente aquilo que resistimos. Criamos um desejo subconsciente de ter relações sexuais com nosso pai do sexo oposto e uma rivalidade com o pai do mesmo sexo. Assim acabamos repetindo nosso próprio mito pessoal, agindo como nosso rival parental, em busca de nosso objeto de desejo parental. Isso se manisfesta numa busca subconsciente por traços de personalidade iguais aos nossos pais nas pessoas para assim podermos resolver nossos problemas que tivemos com eles. Então de um lado temos nosso laço sexual, e do outro a culpa que isso gera. Essa oposição interna cria uma guerra dentro de nós mesmos se manifestando em diversas neuroses.
Como mulher você está destinada a ter relações românticas com seu pai e como homem você está destinado a ter relações românticas com sua mãe. Somos destinados a passar por esse processo repetidamente em nossos relacionamentos por tentar resolver nossos problemas parentais com as outras pessoas. Isso significa que se você não teve o amor que você precisava de um de seus pais você irá buscar pessoas com os mesmos traços de personalidade e adquirir o amor daquela pessoa assim resolver seus problemas internos subconscientes.
Essa busca não termina com a realização desse problema interno. Acabamos por recriar a dinâmica inteira da relação que tivemos com nossos pais, essa é a razão pelo qual não importa o que você faça os mesmos fatos acontecem nos seus relacionamentos.
Quando crianças nós não podemos resolver a dor e o trauma advindas de nossas relações com os pais, então reprimimos os sentimentos num nível que a maioria de nós nem sequer se lembra do sentimento de rivalidade em relação ao pai do mesmo sexo e o desejo sexual em relação ao pai do sexo oposto. Mas por mais reprimido que esse sentimento seja ele está lá tocando a sua vida numa repetição como um CD riscado. E até que esses padrões sejam reconhecidos e aceitos estaremos presos nesse processo, condenados a repeti-los incessantemente. Nossos sistema biológico faz isso para nos dar uma oportunidade de cura de tais sentimentos, por revisitá-los acabamos experienciando a mesma dor antiga e isso nos dá uma oportunidade de aceitar esses sentimentos e então progredir no desenvolvimento de nossa personalidade.
Se você quer reconhecer seus padrões neuróticos para então mudá-los e se curar é essencial que você observe como você monta essas dinâmicas de relacionamento que você teve com seus pais agora em sua vida adulta. E isso inclui apenas a sua perspectiva sobre o que aconteceu, não importando a perspectiva de seus pais, irmãos ou familiares. Os seus sentimentos e o seu ponto de vista é a única coisa que importa para a resolução de tais conflitos.
Você reconhece padrões nos seu relacionamentos atuais? Quais são esses padrões? Você consegue correlacionar esses padrões de relacionamento com os acontecimentos de sua infância em relação à seus pais?
Por recriarmos a dinâmica inteira de relação com nossos pais acabamos nos condenando a experiência novamente aquilo que passamos com eles. Por exemplo, se a pessoa foi abandonada pelo pai ela irá tentar subconscientemente recriar a situação de abandono, fazendo com que a convivência com ela seja tão insuportável que a situação de abandono apenas se repete.
Quando reprimimos algo isso se torna parte de nossa personalidade. E lutar contra essa tendência de personalidade é engatilhar uma guerra interna.
Pare de lutar contra si mesmo, reconheça os padrões em sua vida e aceite-os. Só então você estará num patamar de poder curar e mudar seu destino.

Que a força esteja com vocês!

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