terça-feira, 16 de outubro de 2012

Manual da Alma Neural ("Terapia De Choque Para Idéias Insistentes" ou "Como sair da Matrix em apenas uma lição")

Inspire profundamente devagar. Relaxe.
Sinta seu corpo e sua mente relaxarem enquanto você expira. Está tudo bem. Feche os olhos e fique tranquilo. Tudo ainda estará aqui quando você voltar a abrir os olhos e está seguro. Inspire profundamente. Devagar. Expire.
Perceba que é você quem controla a sua realidade. Isso pode ser um choque então, de novo... Inspire, expire.
Você precisa perceber logo que é apenas a sua mente que te bloqueia daquilo que quer. Perceber que aquilo que você acredita que seja, é, na sua mente que forma a sua realidade. E perceber que ela foi programada e é constantemente programada durante toda a vida de seu cérebro. Inspire, expire, relaxe.
Perceba que essa programação são suas crenças e que essas crenças controlam os seus sentimentos.
Inspire... Devagar... Expire... Perceba que seus sentimentos é que atraem as experiências para você. Reflita.
Perceba que a cultura em qual você nasceu é quem vai moldar seu sistema de crenças. Algumas dessas crenças serão tão enraizadas que você pode pensar que fazem parte de você, de sua essência. Quando na verdade apenas são algumas conexões neurais dentro de seu cérebro. Perceba que você pode moldar sua própria mente.
Você precisa acordar para a sua verdadeira realidade. Para isso você precisa perceber que a realidade é imaterial. Perceba que tudo que achamos material são constituídos de átomos que por sua vez são constituídos de prótons e elétrons que são constituídos de energia pura.
E tudo é essa energia. Muito organizada na época em que vivemos.
Inspire e expire.
Perceba que você também é apenas pura energia presa em um corpo, ilusão por apenas sermos grandes perto de um átomo. E que você está preso nessa ilusão.
Inspire e expire.
Você, nessa forma de energia, interage com o ambiente energeticamente. Atraindo ou repelindo em nível de consciência as experiências que você vivencia.
O que é você?
Inspire e expire. Bem devagar.
Perceba que você se percebe sem o corpo e mesmo sem pedaços dele você continua existindo, logo você não é seu corpo. Observe suas sensações e perceba que você pode ficar sem elas também e observá-las como algo exterior, logo você não é suas sensações. Perceba suas memórias, seus sentimentos e suas idéias. E perceba que todos eles podem ser observados como peixes em um aquário, logo não são você.
Quem está vendo os peixes no aquário?
Perceba que há uma parte de você que não pode ser observada. Uma parte que você não pode colocar para fora para observar. Um centro que observa e que não pode ser observado.
Quem é você?

domingo, 7 de outubro de 2012

Não Há Oceano Aqui

Acordei, levantei da cama, pus meu chinelo e sai. Era começo da manhã, por volta das seis da manhã. Na rua poucas pessoas passam, a sua maioria de bocas abertas bocejando com o olhar vago para frente indo trabalhar. No bolso da camisa de meu pijama encontro uma ponta e a acendo.
Nada começa a fazer sentido, mas já não fazia antes. A névoa cobre as ruas, limitando a nossa visão e dando à realidade a textura de um algodão, como fluoxetina faz. A estranha escuridão da manhã me faz pensar estar nublado, mas o céu se encontra muito além de minha visão. Então bate.
Passo ao lado de um pequeno parque cujas luzes estão acesas. Além dele a névoa fica densa demais para enxergar qualquer coisa. Apenas ouço carros passando e passos de pessoas, atrás de mim, mas agora a névoa que podia ou não ser de meu beck estava densa demais para vê-los. Um pequeno cavalo de madeira sobre uma mola começa a balançar, assim como os balanços e as árvores.
"Você sabia que este parque está sobre um cemitério indígena?" Soa uma voz de criança, olho em volta e não a vejo. "Sob esses brinquedos há almas de milhares de índios cheio de ódio do homem branco. Prontos para levarem suas almas, acabar com sua cultura que acaba com o Grande Espírito" Continuo andando. "E você vai morrer junto com eles!" Agora percebo que a voz começa a diminuir. "Você escuta uma voz falando para você sobre um cemitério indígena num parque em volta de névoa e nem para?" Continuo fazendo o que estava fazendo. "Ei! Volte aqui!" Não o faço. Ela se silencia.
Sob o arco há o nome do parque. No centro há um lago, no centro do lago há uma pequena ilha com uma árvore. Nos galhos das árvores pássaros brancos descansam imóveis. As folhas da árvore estão brancas de tanta merda de pássaro, mas a imagem continua sendo muito cativante.
Começa a queimar meu dedo, trago pela última vez, passo o pé e passo pelo arco. Caminho adentro do lago onde todos os dias pequenas alma e mentes vem correr, passear, levar o cachorro para passear, sentar e ficar olhando, que é o que decidi fazer no momento. Me sento num banco olhando para a árvore branca no centro do lago.
Espero sentir a presença do grande espírito mas ela não vem. Há algo errado. Por um segundo penso que isso pode significar que minha alma não está dentro de meu corpo, e sim já era, e que meu corpo está apenas caminhando sem ela por ai, a procura da própria morte. Mas logo uma possibilidade maior me vem à mente. Talvez ele não estivesse lá.
A ultima vez em que batemos um papo eu estava com os pés mergulhados no oceano. Podia sentir a sua presença de milhões de anos ali. Sentia, sob meus pés, em minha testa que aquele pedaço de terra, na verdade areia, um dia estivera grudado na África. Me via pequeno e feliz por fazer parte de algo tão grande. Maior do que a mente de Deus pode imaginar.  Calmo, centrado, com suas ondas acariciando meus pés eu entendi a sua mensagem. E precisava dela agora. Mas vim ao lugar errado.
Precisava de uma grandeza milenar da Terra e estou de frente para uma poça d'água artificial com uma árvore cagada no centro. Lembro que sem café pela manhã fico sonolento e irritado então volto para casa preparar.

10 Regras para lidar com a polícia

#1 - Sempre mantenha calma
 Nunca responda de volta, nunca levante a voz, nunca demonstre sinais de agressividade, mesmo que sutil. Ser hostil com a polícia é ESTÚPIDO e PERIGOSO. Policiais tem um emprego perigoso, e mesmo os oficiais mais profissionais podem se tornar agressivos se eles se sentirem ameaçados ou se sua autoridade for desrespeitada.
Sempre mantenha controle de suas palavras, do tom de sua voz e de sua linguagem corporal. Se você estiver assustado e nervoso é fácil para um oficial ficar assustado e nervoso também. Nós não queremos policiais assustados e nervosos.
Se você for abordado de carro, mantenha as mãos no volante. Responda apenas o que for perguntado.

#2 - Você tem o direito de permanecer em silêncio. Use!
Como vemos na televisão, nos temos o direito de permanecer em silêncio. É um bom modo de manter a primeira regra. Mas ao contrário do que mostra a televisão eles não vão te avisar antes, e além disso, eles tentarão fazê-lo falar, eles tentarão te colocar em problemas com suas próprias palavras. Mantenha o silêncio.
Repita comigo "Oficial, eu vou me manter em silêncio, gostaria de ver um advogado." É um bom modo de manter seu direito em manter o silêncio.

#3 - Não conceda buscas.
Repita comigo "Oficial, eu não concedo buscas."
Na verdade, você tem o direito de escolha nessas situações. Recomenda-se não deixar isso acontecer pois eles podem danificar algo durante a busca, e você nunca será reembolsado por isso pois você concordou com a busca. Há também a possibilidade de alguém ter deixado algo no seu carro, SEMPRE HÁ. Se você tem algo ilegal, não preciso te explicar o por que de não conceder.
Eles ainda assim podem prosseguir e insistir com a busca. Nesse caso, não há nada a se fazer, mas se a polícia fazer a busca sem consentimento seu advogado poderá usar isso no tribunal.

#4 - Não seja enganado. 
A polícia pode legalmente mentir para você e te enfiar em uma situação complicada.
Não negocie com a polícia. Recusar buscas não é evidência de culpa. Ele podem dizer coisas como "Você pode colaborar comigo, ou pode ir para a delegacia agora!", não se deixe enganar.
Não negocie com a polícia.

#5 - Pergunte se você está livre para ir.
Repita comigo "Oficial, o senhor está me detendo ou estou livre para ir?"
Isso não fará nenhum policial seu amigo, mas o fará ter mais cuidados em violar os seus direitos e pode encurtar o período de humilhação e abuso psicológico.

#6  - Não se exponha
Você tem seu direito de se expressar. Você PODE usar uma camiseta com uma folha de maconha. Você PODE colar adesivos em seu carro dizendo "Foda-se a polícia!".
Mas isso só vai causa antipatia dos policiais, vai atrair atenção. Você claramente pode se fuder só por causa disso.

#7 - Não corra da polícia
Se você se safar, tudo bem.
Mas lembre-se que a policia trabalha em equipe. E correr, ao contrário de recusar buscas, é evidência de culpa.

#8 - NUNCA ENCOSTE NUM POLICIAL
Você pode tomar uma surra ou um tiro por isso. Ponto.

#9 - Denuncie má condita. Seja uma boa testemunha.
Em caso de má conduta policial, seja um excelente observador. Registre a sequencia dos fatos, os nomes dos policiais, os seus números de registro (nunca pergunte, isso pode te enfiar em problemas). Converse com as testemunhas. Se você for agredido, fotografe, tenha provas.

#10 -  Você não precisa deixar os policiais entrarem em sua casa.
Sem mandado a polícia não pode entrar em sua casa. Mas eles não precisam de mandados caso já estejam dentro de sua casa.
Se um policial bater em sua casa ao atendê-lo saia para fora de casa e feche a porta.
Repita comigo "Oficial, não posso deixá-lo entrar sem um mandado"
Outro bom modo de lidar com a situação é simplesmente não atender

Observação útil:
Assim como em qualquer profissão há policiais extremamente competentes que levam a sério seu trabalho, mas há também policiais sujos e corruptos, e você nunca sabe com que tipo está lidando. Alguns tentarão te enfiar em situações complicadas, e tentaram tirar proveito de você. As regras continuam se aplicando nessas situações, elas te ajudarão a não se enfiar em problemas mais profundos.



10 Regras para lidar com a polícia, adaptados disso aqui: http://www.youtube.com/watch?list=PLEABD76DE8102447B&feature=player_embedded&v=gmrbNLt7Om8

Peso Cultural

"We dreamed of a world of peace
But killed for a life of ease"


É um consenso quase unânime ver que nós não estamos criando nenhum paraíso em nosso planeta. Nós vemos claramente que não estamos fazendo o melhor para a nossa própria vida.
Nascemos em um mundo onde é mais barato morrer, inalando o perfume da dívida, fazendo parte de planos que não escolhemos, caminhando por caminhos pré-estabelecidos por outros, sendo iludidos achando que estamos interferindo em algo votando em nossos líderes, comprando conforto, atendendo necessidades que as propagandas enfiam em nossas cabeças. Apenas seguindo passos de outras pessoas que não conseguiram sair vivos dessa vida.
Hoje somos quase sete bilhões de indivíduos. Ocupados demais levando nossas crianças para as creches, nossos avós aos asilos, indo para nossos escritórios. Consumindo qualquer coisa que tenha uma embalagem colorida e um bom comercial na televisão
Sete bilhões.
Todos sonhando com um paraíso que não estamos construindo. Aceitando mentiras como desculpas. Tendo burocracia (apenas papéis) o maior impedimento para montar nossas próprias vidas.
Jesus, Buda ou Ala nos ensinou a amar o próximo como a si mesmo. E fingimos que seguimos esses ensinamentos. Mas cruzamos com mendigos deitados nas calçadas pedindo comida, implorando por respeito e redenção sem dor, e não fazemos nada. Não podemos fazer muita coisa.
Somos impedidos por uma cultura onde qualquer ato de bondade é suprimido e apagado. Onde apenas problemas geram lucro. Somos forçados a fechar nossos olhos, aceitar o muito pouco que fazemos.
Seguimos estruturas políticas, educacionais e sociais achando que estão fazendo o melhor por nós. Damos a eles o poder de nossa decisão por nossas vida, nossos atos e nossos pensamentos.
E assim, criamos um mundo onde a cada 5 segundos uma criança morre de fome. Um mundo onde pessoas não tem acesso nem a água potável. Onde o estado comanda com métodos draconianos o nosso comportamento como cidadãos, como um pai frustrado com a própria vida.
Você pede a Deus por um mundo melhor? Você pede à seu prefeito por uma cidade melhor? Você implora para quem por uma vida melhor?
Estamos vivendo as consequências de atos passados. Falhas culturais gigantescas, globais. Problemas que TEM SOLUÇÕES.
Mas as soluções estão tão longe do modo como vivemos que não conseguimos nem imaginar.
Imaginamos como John Lennon imaginou, mas fazemos apenas os papéis sociais que nos pedem. Somos apenas consumidores.
Estamos matando uns aos outros porque achamos que estamos certos, porque estão roubando nossas coisas, porque podemos ficar sem recursos. Estamos nos matando como cultura.
E o que mais os mortos podem fazer?